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Porcos e humanos
Ela (a alma) precisa estar protegida, para evitar contágios perigosos, com bloqueios de contenção para as forças do mal, mantendo assim, preservados e intactos, os sinais vitais de paz e luz, postura e testemunho, coerência e fé
O nome técnico, definido em ritmo de pandemia pela Organização Mundial de Saúde, é enigmático: vírus A (HlNl). A voz popular classificou de “gripe suína”. Nos lugares mais afetados, muitas pessoas passaram a usar máscaras para se proteger.
A reação preventiva, os esclarecimentos públicos pelas autoridades de saúde, bem como os receios internacionais, evocaram a peste dos tempos antigos. Mas existe uma moléstia crônica, afetando terrivelmente o planeta inteiro, contra a qual não existe propriamente uma vacina, mas um remédio definitivamente comprovado como salvador, que está disponível, ao alcance de todos, e é maciçamente rejeitado.
A moléstia, devastadora, tem alvo: a alma, definida por Platão como sendo “o que há de melhor em nós” e “a primeira a derramar a luz do céu”. Jesus nos ensinou – Mateus 10.28 - que não precisamos ter medo dos que matam o corpo, porque eles não podem matar a alma.
Mas e se as almas estão doentes? E, na melhor das hipóteses, cheias de mofo?
Que existem almas doentes e mofadas, para percebê-las é só olhar ao derredor. Ódio, destruição, ambição sem freios, ciúme, ausência de amor e solidariedade, sintomas sem fim. Qualquer um de nós pode perceber o diagnóstico, o DNA assustador deste misterioso microcosmo chamado raça humana.
Se, como escreveu o poeta Mário Quintana, amar poderia ser “mudar a alma de casa”, podemos perceber que existem estereótipos massacrantes e uma paradoxal contradição entre avanços da ciência e da tecnologia e um retrocesso na evolução da alma. O decálogo mosaico entregue pelo Senhor no Sinai contém uma sinopse sobre harmoniosas formas de convivência social – sinopse, aliás, violada (é só conferir no capítulo 20 do livro de Êxodo). Do mesmo modo, e em contraponto, vemos Jesus elaborando com maestria em Mateus 5 (1-12) o mais perfeito código de ética que a humanidade já conheceu.
Voltemos aos suínos. Para evitar contágio de vírus, máscaras protetoras. Aliás, de eficácia das mais relativas. Comparemos: proteção anti-virus A, mas almas expostas aos mais variados tipos de contaminação que corroem, anestesiam, tornam indiferentes. Ela não é velha e nem é jovem, e sendo alma nos anima. Com licença, Platão: se ela pode ser o que temos de melhor, pode representar também o que temos de pior. Como Paulo de um lado, e Nero de outro, num mesmo período de Roma (aliás, observe, o nome da cidade é “amor” escrito ao contrário).
De igual modo, vemos o avanço das cirurgias plásticas, o investimento no corpo “para o próximo verão” e as academias proliferando para que se tenha, cada vez mais, os chamados corpos “sarados” – isto é, bem condicionados, saudáveis, musculatura desenvolta e massa corpórea bem distribuída. Mas você, alguma vez, já ouviu falar em “alma sarada”?
Podemos entender como “sarada” a alma curada, redimida, transformada, alcançada pelo bálsamo redentor da Salvação. A alma que irradia luz revela a presença do Senhor. E ela precisa estar protegida, para evitar contágios perigosos, com bloqueios de contenção para as forças do mal, mantendo assim, preservados e intactos, os sinais vitais de paz e luz, postura e testemunho, coerência e fé. Paulo, escrevendo aos cristãos em Éfeso (6:13-15), recomendou que empunhassem a espada do Espírito, colocassem o capacete da salvação, calçassem o evangelho da paz, vestissem a couraça da justiça e envergassem a armadura de Deus, para que “pudessem resistir ao dia mau”. Assim, venceriam “tudo” e permaneceriam “inabaláveis”.
Vamos envolver a epiderme finíssima da alma com a proteção anti-virus do pecado, que vem a ser o pior dos relacionamentos com Deus. Ela se chama Cristo, o Senhor, na essência o nosso Salvador.
Percival de Souza
é escritor, jornalista e membro do Conselho Diretor da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista
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